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Um ano… um lápis… um livro… um brinde

 

Quando estava sentado na escrivaninha, com um lápis de grafite numa ponta e uma borracha na outra, pensava no ano. Na vida… nela…

O livro se abria em sua frente, as ideias se mexiam em seu coração e saiam…

Na fragilidade de um lápis, as coisas mais concretas que talvez ele escreveu… apagou… escreveu… leu… apagou… escreveu…

O ano se fora e ele tinha certeza que jamais seria o mesmo de antes

O poeta só é grande se sofrer e ele sofria ao ler o que ele próprio escrevia. E gostava.

Estava ali sem nenhuma proteção… brincando no abismo… nada Sararia mais suas cicatrizes do que um abismo daquele. Um vácuo de incertezas…

E lá foi ele, rodopiando no ar na esperança de ser salvo antes de cair…

Ele ainda roda por aí… sem cair, sem ser salvo…

Roda por aí como no romance francês acinzentado pelas suas palavras… não sabe onde vai parar… se é que vai parar…

Naquele livro está um pedacinho dele… mas o que é a vida a não ser dar pedaços dela a quem se ama… é um modo de se multiplicar por aí…

A triste canção saiu somente do livro e de sua cabeça…

Semeou um brinde com um copo meio vazio e uma cerveja meio quente na companhia de um amigo…

Contar histórias… o que é a vida se não contar histórias… também é um modo de se multiplicar por aí…

Deixar uma marca, uma pegada, um brinde no tempo… esse mensageiro das almas dos que virão ao mundo depois de nós…

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Publicado por em março 17, 2013 em Coisa e Tal

 

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O ateu arrependido

Me perdoe, camarada!!!!!

Era um ateu convicto. Diante de tanta pobreza no mundo, guerras e seres humanos pela Terra, realmente não poderia acreditar que o tal Deus existia.

Diariamente tentavam o convencê-lo que sua posição era errada. Mostravam o pôr do sol, as montanhas, o fundo do mar, a coxinha de frango com catupiry e a Pizza de Nutella.

– Olhe todas essas belezas, Deus existe, sim!

Nada que tocasse seu coração duro e incrédulo!

Eis que um dia, uma manhã qualquer comendo um pão com manteiga qualquer e tomando um café preto qualquer, ele a viu na televisão.

Cachos, uma pintinha debaixo do olho e 32 motivos para acreditar no que passou a vida negando.

Ele, forte como o bicho mais feroz, se derrete como a manteiga que adentra no miolo de seu pão quente.

Viu que aquilo não podia ser obra de mais ninguém a não ser aquele que ele injuriou tanto. “Pobre coitado”, pensou o ateu-comunista.

Arrependido no balcão da padaria, caindo no xaveco daquela malandra, Débora, que mesmo a quilômetros de distância, bagunçava com a manhã daquele pobre Ateu!!!!

Não restava mais nada além de um pedido de desculpas.

– Ei, meu velho, desculpa aí! Aceite um café, por minha conta

 
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Publicado por em março 11, 2013 em Coisa e Tal

 

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Quem faz Marco Feliciano?

O Brasil já sabe que o Pastor Marco Feliciano (PSC-SP) assumiu a presidência da Comissão de Direitos Humanos e Minorias (CDHM) da Câmara dos Deputados. Por meio de um “acordão” entre PT, PMDB e PSDB, um homem que já deu declarações racistas e homofóbicas, tomará conta da comissão de direitos humanos que deveria, a partir de hoje, se chamar comissão dos humanos direitos.

Clique aqui e aqui e entenda melhor

Dezenas de abaixo-assinados já estão rodando pela rede pedindo, desde o impeachment do deputado até que ele saia da Comissão. Nada disso terá efeito, sabem por que? Porque Feliciano representa parte da população Paulista. Está lá porque teve votos. Ponto.

O que se precisa entender é o que leva Feliciano e tantos outros religiosos conservadores pra Câmara. Estão lá graças a importância que as igrejas neo-pentecostais tem por conta da falência do estado em lugares mais carentes das cidades.

Quantos centros culturais você vê em favela? Quantas quadras de esporte? Cinemas? Espaço para shows? A resposta pra maioria dessas perguntas é zero. Ou um número muito próximo dele. Mas, em compensação, quantas igrejas evangélicas você vê? MUITAS.

Pastores estão presentes lá, e isso a população não esquece. Claro que muitos deles extorquem dinheiro de quem tem muito pouco. Mas entendem que é graças a eles e as igrejas que comandam que seu filhos e parentes mais próximos não estão trabalhando no tráfico, por exemplo.

Quem faz esses fundamentalistas chegarem até onde chegaram é o próprio poder público. Onde ele falta, alguém ocupa seu lugar. Fácil agora é bradar ética e respeito aos direitos humanos. Difícil é atacar a causa. Mas quem disse que seria fácil…

 
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Publicado por em março 8, 2013 em Brasil

 

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Um Pouco de Prosa

Recentemente, temos tido inúmeros exemplos de como a sociedade está se tornando fundamentalista e deixando de lado toda e qualquer racionalidade.

Afinal, o que é fundamentalismo?  Vamos à definição do dicionário, pai dos burros como eu:

1. RELIGIÃO manutenção e defesa dos princípios religiosos tradicionais e ortodoxos, como a infalibilidade dos textos sagrados, e sua aceitação como verdades fundamentais imprescindíveis para a formação da consciência

2. atitude mental caracterizada pela defesa intransigente de princípios de carácter conservador; integrismo

fundamentalismo In Infopédia [Em linha]. Porto: Porto Editora, 2003-2013. [Consult. 2013-03-07].
Disponível na URL: http://www.infopedia.pt/lingua-portuguesa/fundamentalismo

Dito isso, vamos discutir os assuntos do momento:

1) Morte de Hugo Chávez

Na terça-feira, dia 05 de março, exatamente 60 anos após a morte de Joséf Stálin, morreu Hugo Chávez, que comandava a Venezuela desde 1999. Hugo Chávez sempre foi uma figura controversa, dessas raras que tornam a indiferença algo impossível.

Sua política antiamericanista e seus…

Ver o post original 1.694 mais palavras

 
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Publicado por em março 7, 2013 em Uncategorized

 

Feminicídio: a morte pelo fato de ter nascido mulher

Estamos vivendo uma temporada de crimes de juri popular. Os casos do goleiro Bruno e de Misael Bispo estão no centro dos noticiários. Ambos têm muito em comum. O dois foram assassinatos brutais e, como dizem na linguagem jurídica, por motivos torpes.

Mas outro ponto colabora pra que os casos sejam parecidos e, esse aí, ainda não atingiu a esfera jurídica, mas já motiva muitos estudos de feministas: se trata do feminicídio.

A filósofa Marcia Tiburi, em artigo na revista Cult desse mês, explica muito bem o que é o termo. Mais do que o assassinato de mulheres, a palavra significa o assassinato de mulheres pelo simples fato de ser mulher.

Não deixe de ler o artigo.

O feminicídio é tratado na imprensa como um assassinato comum. Não é. Uma análise rápida dos casos traz muitas respostas. Quantas vezes você ouviu que Eliza, por ser atriz pornô, teria culpa em sua própria morte? E, no casa do Mércia Nakashima, que a advogada é responsável pelo que aconteceu porque se relacionou com alguém mais pobre? Machismo e Classismo estão presentes nos debates. Mas o feminicídio, não.

Não sou especialista para fazer aqui uma análise comportamental de Bruno e Misael. A justiça está aí, eles serão julgados e, provavelmente, condenados. Mas, como o debate vem ocorrendo na mídia, não será dessa vez que o feminicídio será motivo de matérias do Fantástico ou do Globo Repórter.

A revista Playboy da África do Sul desse mês traz uma capa simples mas que passa um recado contra o estupro. Parece simples, mas poucos entendem. A pergunta na capa é: não significa? E as alternativas: não, não, não e não!

Só vamos dar um passo em direção a civilidade nesse âmbito quando entendermos que os homens não tem licença para praticar violência contra a mulher. Que ele não tem direito de matar uma mulher por ele ser prostituta. Ele não tem direito de estuprar pela roupa que a mulher usa. Tá na hora de darmos esse passo.

Clique aqui para ir na Adital e saber sobre outros casos de feminicídio.

PS.: Nem o corretor ortográfico do wordpress reconhece a existência da expressão feminicídio

 
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Publicado por em março 4, 2013 em Coisa e Tal

 

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Humanos direitos, que circo!

A carta dos direitos humanos de ONU foi adotada em 1948. Nela , se garante alguns direitos inerentes ao seres humanos, não importando o país onde vivem nem sua condição econômica.

O artigo primeiro diz: Todas as pessoas nascem livres e iguais em dignidade e direitos. São dotadas de razão  e consciência e devem agir em relação umas às outras com espírito de fraternidade. O documento na íntegra pode ser lido aqui.

Como já dizia o saudoso Joelmir Beting: na prática a teoria é outra. A máxima, que foi pensada inicialmente para a economia, vale para quase tudo na vida. Há graves violações dos direitos humanos pra qualquer lado que você olhar no globo terrestre.

Na África existem ditadores sanguinários, na China existe o cerceamento da liberdade de expressão, nos EUA há milhares de mortes em guerras, inclusive agora com aviões não tripulados. No Brasil existe a negação dos direitos para os gays, desrespeito às normas minimamente aceitáveis de vida nas prisões, violência contra a mulher etc etc etc…

O Poeta Charle Bukowski disse uma vez: “Todos nós vamos morrer, que circo! Só isso deveria fazer com que amássemos uns aos outros, mas não faz. Somos aterrorizados e esmagados pelas trivialidades, somos devorados por nada.”

Os direitos humanos não passam de um papel bonito que foi escrito por alguém com as melhores intenções. Mas não deu um passo além disso. Na política brasileira, tanto o PT no governo Federal, quando o PSDB na Câmara dos vereadores em São Paulo, mostram que a procupação com isso é zero!

Nesta semana o PT entregou a Comissão dos Direitos Humanos da Cãmara ao Pastos Marco Feliciano(PSC-SP). No ano passado o deputado usou sua conta no twitter para exalar preconceitou contra negros e gays. Em uma postagem, escreveu: “A podridão dos sentimentos dos homoafetivos levam (sic) ao ódio, ao crime, a rejeição”. Pra se ter a noção de como o deputado está “dentro da realidade” ele é um dos que gritam que a Comissão virou um espaço de defesa dos “privilégios” de gays lésbicas e transexuais. É um dos que defendem que há uma “ditadura gay” no país. Seu trabalho com a religião, diz Feliciano, “o gabarita” para presidir a comissão e que “o cristianismo foi a religião que mais sofreu até hoje na terra”. É um Fla-Flu religioso!

Por aqui, em terras bandeirantes, o “progressismo” é simbolizado pelo ex-coronel da Rota e hoje vereador pelo PSDB Paulo Adriano lopes Telhada que, pasmem, pleiteou seu lugar na presidência na Comissão Extraordinária dos Direitos Humanos na Câmara dos vereadores.

O jornalista da Folha de S. Paulo André Caramante começou a ser ameaçado por simpatizantes da Rota depois de escrever matérias em que reportava os abusos dos PMs Paulistanos. Ele e sua família começaram a ser ameaçados inclusive de morte depois das críticas. Telhada, então candidato, usava sua página no Facebook para incitar ódio contra quem “defendia bandidos”. Não preciso dizer do que rolava nos comentários das matérias de Caramante, não é? André teve que ser exilado do país por conta das ameaças de morte que recebera. Para saber mais do assunto, clique aqui.

Crescimento das mortes causadas pela PM Paulista entre 2010 e 2012

A indicação de Telhada para a comissão dos Direitos Humanos não vai acontecer. A vereadora petista Juliana Cardoso deve assumir o cargo. Mas Telhada é indicado, ao lado de Ari Friedenbach, para presidir a nova comissão de segurança o que não se pode dizer que seja uma boa notícia.

Tenho aqui uma sugestão para Dilma Rousseff, PT e à Câmara de vereadores de São Paulo: mudar de vez o nome da comissão para “Comissão dos Humanos Direitos”, já que os nomes indicados nos remetem muito mais ao discurso conservador batido do que à carta da ONU.

 
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Publicado por em março 2, 2013 em Brasil

 

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Os 4 (consumidores) do pacaembu

 

O Brasil, mostram os dados, virou um país de classe média. A pirâmide social, aquela que a base é a parte mais baixa, virou um losango com o meio dando sustentação a tudo. Chegam a essa conclusão por conta da faixa de renda da maior parte da população brasileira. Tem mais emprego, ganham mais e, assim, consomem mais. Justo.

Como tudo na grande roda da história existem os bônus disso tudo. Mas também existem os ônus.

Acontece que hoje o que pauta a nossa classe média são os direitos do consumidor. Até aí, ótimo. Quem não tinha do que reclamar com operadoras de celulares, simplesmente porque não tinha celular, agora tem. E reclama quando o serviço é ruim (talvez agora parem de santificar as privatizações). Nada mais justo. O pobre agora come bife e reclama no açougue quando o bife não está bom. Um baita avanço.

E onde está o tal do ônus, você me pergunta. E eu te digo: nada importa mais hoje do que o direito do consumidor! O direito a moradia não existe. “Ué, esse terreno é invadido mesmo e é meu. Chamo a polícia, meto a borracha em vocês e depois faço o que quiser com o terreno. Inclusive NADA, ele é meu. Se mandem daqui…” O direito humano, então… seria revogado se formos dar ouvido a maioria da população. Mas o direito do consumidor… ah, não… esse aí é inalienável…

Quatro torcedores ontem entraram no Pacaembu para assistir o jogo do Corinthians contra o Millionarios da Colômbia. O estádio, como todos já sabem, não poderia receber público por conta do desastre de Oruro, onde o disparo de um sinalizador marítimo MATOU Kevin Espada, um garoto de 14 anos que só queria se divertir e ver o campeão mundial em campo.

O direito do consumidor levou juízes a darem razão aos advogados dessas pessoas (alguns nem precisaram ser representados, acredito, porque eram homens das leis). “Paguei o ingresso e tenho meus direitos” bradavam, provavelmente com Iphones nas mãos e o aplicativo do impostômetro a postos.

Esse direito, tão eficaz e protetor dos consumidores, não teve a mesma compaixão quando permitiu que a polícia entrasse na favela do Pinheirinho e expulsasse os moradores, crianças e cachorros envolvidos, de seus barracos. Se fossem consumidores, quem sabe algumas vidas fossem poupadas e despachos pudessem ser evitados!

Minha esperança é que a classe média emergente salve o país do “coxinhismo” que virou isso aqui. Talvez os mais humildes que entraram na faculdade recentemente, que sabem, talvez, o que é levar uma vida dura, não esqueçam de onde vieram. Sejam advogados, médicos, engenheiros, jornalistas, políticos que não neguem as raízes. Todos temos o direito de melhorar de vida. Mas não podemos reduzir uma morte a “direito do consumidor ”.

Talvez eu possa conviver na Copa com um país que leve mais de 10 minutos para resolver alguma coisa pelo telefone. Mas não sei se sou capaz de viver em um seja tão seletivo com as leis que serão cumpridas.

Leia o texto do Mauro Cezar Pereira sobre o acontecido.

 
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Publicado por em fevereiro 28, 2013 em Futebol

 

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